Na imagem que atividade econômica de grande importância está sendo desenvolvida para a metrópole

A partir do ano de 1530, os colonizadores portugueses decidiram se instalar definitivamente no Brasil. Muitos acreditavam que as terras brasileiras já foram colonizadas imediatamente quando Pedro Álvares Cabral chegou com a sua esquadra, mas essa é uma visão errônea da colonização. A colonização se deu de fato com a chegada da expedição liderada por Martim Afonso de Souza em 1531. O interesse que outras metrópoles europeias despertaram em relação ao Brasil motivou Portugal a intensificar o domínio sobre as terras recém-descobertas.

A primeira atividade econômica desenvolvida em terras brasileiras foi à extração do pau-brasil. A mão de obra utilizada foi a indígena, após um período de diplomacia, em que portugueses optaram por uma convivência pacífica com os nativos, eles resolveram usar da força para convencê-los a trabalhar. A rotina e a organização social das tribos foram alteradas em função da extração dessa valiosa mercadoria, que se transformaria em um rentável negócio na Europa.

Com a decisão de intensificar o domínio sobre a colônia, os portugueses escolheram o açúcar como principal atividade econômica a ser desenvolvida na América Portuguesa. Essa escolha não foi por acaso, como Portugal já possuía experiência com a produção de açúcar nas ilhas do atlântico (principalmente nas Antilhas), a metrópole decidiu investir no plantio de cana-de-açúcar. Ao contrário da extração do pau-brasil, o negócio do açúcar necessitava de um controle mais rígido e mais próximo à colônia. Como essa atividade econômica dependia de certa complexidade e da ocupação de maiores faixas de terra, seria necessário um acompanhamento mais de perto dos colonizadores.

A economia açucareira contou também com o financiamento de banqueiros e grupos de burgueses que auxiliaram o início da produção e a comercialização na Europa. A experiência no plantio nas ilhas do Atlântico, juntamente com o financiamento da burguesia portuguesa aliada as terras férteis e o clima quente, criou o ambiente perfeito para o próspero negocio do açúcar.

Veja também: A Independência do Brasil

Outras atividades como a criação de gado, o plantio de cacau, algodão e fumo também foram desenvolvidas, mas tinha como objetivo atender ás necessidades da empresa açucareira. Parte da cana-de-açúcar era destinada a produção de aguardente ou cachaça e rapadura. Esses produtos também eram utilizados como moeda de troca dentro e fora da colônia. A criação de gado se tornou uma importante atividade colonial, pois além de serem utilizados como força para movimentar o engenho e transportar mercadorias, o gado servia como fonte de alimentação, o seu couro também era reaproveitado para confecção de roupas, sapatos e demais utensílios.

Para facilitar o controle da colônia, Portugal resolveu dividir as terras brasileiras em quinze extensas faixas de terra chamadas de Capitanias Hereditárias. Esses pedaços de terras foram doados aos donatários, entre as vantagens dessa doação estava o benefício de administrar e explorar esses territórios e deixa-los de herança para os filhos. No entanto, a distância das capitanias em relação à metrópole e a grande extensão territorial gerou um imenso desinteresse nos donatários, o que resultou no insucesso desse sistema. As únicas capitanias que apresentaram bons resultados foram a de Pernambuco e a da Bahia. Esse sucesso se deve ao fato do Nordeste ter uma maior proximidade com a metrópole e por possuir terras aráveis e rios navegáveis, o que facilitava o transporte do açúcar para a Europa.

O alto valor comercial do açúcar na Europa estimulou a intensificação da sua produção nas terras da América portuguesa. Outro fator que impulsionou essa atividade econômica foi à intensa crise que Portugal atravessava. As lavouras de cana representavam a saída para a crise portuguesa. Todas as negociações envolvendo o comércio do açúcar deveriam ser orientadas de acordo com o Pacto Colonial, a Coroa controlava a produção e negociava as vendas.

A produção açucareira acontecia nos engenhos. O Engenho consistia em um complexo formado tanto pela fábrica onde era realizada a produção como pela propriedade onde estava instalada a casa grande, a senzala, a capela e o canavial. A lavoura ocupava uma extensa faixa de terra, uma pequena parte era destinada ao cultivo de produtos destinados a subsistência. No centro do engenho estava a casa-grande, moradia do proprietário do engenho e sua família, a sua localização era estratégica, pois permitia um maior controle do sistema de produção.

O trabalho no engenho necessitava de um grande número de trabalhadores, a mão-de-obra utilizada veio principalmente do continente africano. O trabalho do negro africano foi à base da economia açucareira. O escravo estava presente em todas as fases da produção: plantio, cultivo, beneficiamento da cana e transporte. A substituição da mão-de-obra indígena pela do negro africano foi justificada pelo fato dos portugueses acreditarem que o indígena era insolente e preguiçoso, já o negro era forte e submisso. A utilização de escravos vindos da África daria origem a mais um rentável negócio para os portugueses: o comércio e tráfico de escravos.

Veja também: A Escravidão No Brasil

O engenho era formado pela moenda, casa das caldeiras e casa de purgar. As moendas eram grandes cilindros de madeira onde a cana era moída para a extração do caldo. A força que movia os engenhos era a animal, chamada de trapiches e os acionados pela força da água denominados de reais. Na casa das caldeiras, o caldo extraído era engrossado em fogo alto em grandes tachos. Na casa de purgar o caldo transformado em melaço, era colocado em formas de barro para secar e chegar ao ponto de açúcar. Após esse processo, as barras de melaço eram enviadas para Portugal e Holanda onde eram refinadas até serem transformadas em açúcar. Para alcançar um valor maior de venda, o produto sofria um branqueamento, processo que durava até trinta dias.

Nos séculos XVI e XVII, a comercialização do açúcar gerou altos lucros para os donos de engenho, elevando o Brasil a posição de maior produtor de açúcar do mundo. Portugueses e holandeses também foram beneficiados pelo sucesso desse lucrativo comércio. Já os escravos levavam uma vida sofrida, alternada entre o penoso trabalho no engenho e a vida solitária na senzala. Parte dos lucros alcançados com a venda do açúcar era reinvestida na compra de novos escravos. Esses rendimentos também eram utilizados na compra de produtos como roupas, alimentos, louças, prataria e outros objetos ostentados pelos senhores e sua família.

O cultivo do açúcar na colônia foi um sucesso, mas apesar disso a produção enfrentou momentos de crise ao longo desse período. A invasão empreendida pelos holandeses no século XVII possibilitou ao invasor o domínio de um grande número de terras. Os novos colonizadores conquistaram o Pernambuco e faixas de terra entre Alagoas e o Rio Grande do Norte. A concorrência holandesa provocou uma queda no comércio do açúcar português, com a expulsão dos invasores, a Holanda passou a produzir o produto nas Antilhas. O açúcar holandês era vendido a um preço mais baixo na Europa, o que obrigou os portugueses a diminuírem o valor do seu produto para concorrer com os holandeses.

Apesar da concorrência, o plantio de cana-de-açúcar continuou por muito tempo a ser um dos produtos mais importantes da economia colonial. Ainda hoje as grandes plantações de cana possuem uma grande importância para a economia de diversas regiões brasileiras.

Lorena Castro Alves
Graduada em História e Pedagogia

As cinco maiores metrópoles brasileiras, levando em consideração a hierarquia urbana das cidades brasileiras estabelecida pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística (IBGE), são:

  • São Paulo;

  • Rio de Janeiro;

  • Brasília;

  • Recife;

  • Belo Horizonte.

Vale destacar que as maiores metrópoles brasileiras são aqueles centros urbanos que exercem uma forte centralidade sobre outras cidades, próximas ou não, uma vez que concentram um grande número de entidades econômicas e financeiras, serviços e atividades culturais.

Confira nosso podcast: Mudanças demográficas brasileiras

Resumo sobre as cinco maiores metrópoles brasileiras

  • As maiores metrópoles brasileiras são as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Belo Horizonte.

  • São Paulo é a única pertencente à categoria de Grande Metrópole Nacional, enquanto Brasília e Rio de Janeiro são classificadas como Metrópoles Nacionais.

  • Uma metrópole é um centro urbano com elevado nível de desenvolvimento econômico e populacional que desempenha influência econômica, política e cultural em uma série de outras cidades, criando assim uma complexa rede urbana.

Quais são as cinco maiores metrópoles brasileiras?

Levando em consideração o estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a hierarquia urbana brasileira denominado Regiões de Influência das Cidades (Regic), de 2018, as cinco maiores metrópoles do país são as seguintes:


É importante notar que a ordem da tabela acima não foi estabelecida necessariamente de acordo com o tamanho da população que cada uma dessas metrópoles influencia, mas sim de acordo a sua posição na hierarquia urbana brasileira, conforme veremos em mais detalhes no item a seguir.

O que é metrópole?

Uma metrópole é um centro urbano altamente desenvolvido que concentra um elevado número de instituições políticas e de gestão, econômicas e de serviços. Assim, ela desempenha influência sobre outras cidades, as quais não necessariamente estão inseridas na sua região metropolitana. Em muitos casos, a rede de influência que se desenvolve em torno das metrópoles abrange escalas territoriais que compreendem uma grande região, um país e até mesmo todo o planeta, no caso das metrópoles globais.

A classificação do IBGE reconhece que as metrópoles brasileiras exercem influência sobre todo o território nacional e define os seguintes níveis hierárquicos:

  • Grande Metrópole Nacional: nível que compreende somente a metrópole de São Paulo.

  • Metrópole Nacional: nível que compreende o grupo formado pelas metrópoles do Rio de Janeiro e Brasília.

  • Metrópole: nível que é ocupado por um total de 12 cidades brasileiras, dentre as quais se encontram Recife e Belo Horizonte.

Leia também: As 20 cidades mais populosas do mundo — as grandes aglomerações urbanas

Características das cinco maiores metrópoles brasileiras

As cinco maiores metrópoles do Brasil formam um amplo e complexo arranjo populacional, o qual compreende pouco mais de 47 milhões de habitantes, o equivalente a cerca de 20% de todos os habitantes do país. Levando em consideração a principal cidade na hierarquia urbana brasileira, a rede de influência das maiores metrópoles brasileiras supera os 49 milhões de habitantes e quase 680 municípios.

Cabe ressaltar aqui que uma rede não acontece de maneira independente da outra, havendo assim a sobreposição dessas áreas. Esse caso fica mais fácil de compreender quando tomamos como exemplo as metrópoles nacionais, cujo grau de polarização é extrapolado para todo o Brasil.

→ São Paulo (São Paulo)

Vista do Edifício Copan, localizado no centro da cidade de São Paulo, que se tornou um dos símbolos da capital paulista.

A cidade de São Paulo é a capital do estado homônimo, localizado na região Sudeste do Brasil. Trata-se da maior metrópole do país, cuja região de influência é formada por uma população de 49.295.747 habitantes, ao passo que a sua região metropolitana compreende de forma direta 21,5 milhões de pessoas.

São Paulo é a maior cidade brasileira e uma das maiores do mundo, desempenhando a função de centro financeiro e econômico do país. Ela abriga a sede de importantes bancos internacionais e grandes empresas transnacionais de diferentes ramos produtivos, além de alocar a Bolsa de Valores brasileira. A capital paulista apresenta hoje um Produto Interno Bruto (PIB) de 763 bilhões de reais, respondendo assim por uma fatia equivalente a 10% da economia brasileira.

A metrópole, que é uma das duas cidades brasileiras a receberem a alcunha de cidade global, representa um importante polo atrativo para migrantes de todas as regiões do país e do mundo, o que lhe confere uma grande pluralidade cultural, que é expressa na sua paisagem urbana e composição de bairros. A cidade de São Paulo é reconhecida ainda pela ampla oferta de atividades culturais e de lazer, como teatros, museus, shows, exposições, cinemas e parques.

→ Rio de Janeiro (Rio de Janeiro)

Vista do morro do Pão de Açúcar, uma das paisagens naturais mais conhecidas do Rio de Janeiro.

A cidade do Rio de Janeiro, capital do estado homônimo, é uma das duas metrópoles nacionais e apresenta uma região de influência com 17.296.239 habitantes. Na sua região metropolitana, hoje vivem 13,1 milhões de pessoas. A sua economia municipal é a segunda maior do Brasil, com um Produto Interno Bruto (PIB) de 354 bilhões de reais.

O município é sede de uma das principais empresas estatais brasileiras, a Petrobras, sendo ainda um dos maiores produtores de petróleo do país. Graças às suas belezas naturais, que contempla as praias e o relevo único, marcado por feições como o Corcovado e o Pão de Açúcar e festas populares como o Carnaval, o Rio de Janeiro é um dos principais destinos turísticos do Brasil. Nesse sentido, as atividades terciárias apresentam grande importância na composição da economia carioca.

→ Brasília (Distrito Federal)

Vista da cidade de Brasília, em que é possível observar a Catedral, o Museu Nacional Honestino Guimarães e prédios de órgãos do governo federal. [1]

Brasília é a segunda metrópole nacional brasileira junto do Rio de Janeiro, fechando esse nível hierárquico. Ela compreende uma região de influência de 11.649.359 de habitantes, de acordo com os dados da Regic.

A cidade de Brasília é o principal centro de gestão do Brasil. Ela foi projetada para desempenhar a função de capital federal ainda na década de 1950. Quanto à construção de Brasília, o projeto dos arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer foi posto em prática entre 1957 e 1960, ano em que a cidade foi inaugurada e houve a transferência da capital do Brasil do Rio de Janeiro, no litoral sudeste, para a região Centro-Oeste do país. O PIB brasiliense é de 273,6 bilhões de reais, com uma economia altamente centrada nos serviços e nas atividades do setor de turismo.

→ Recife (Pernambuco)

Praia de Boa Viagem, em Recife. [2]

Recife é a capital do estado de Pernambuco, localizado na região Nordeste do Brasil. Dentro do escopo das metrópoles brasileiras, considerando o terceiro nível hierárquico do IBGE, é aquela que contém o maior número de pessoas na sua região de influência, totalizando 23.601.254 habitantes.

A cidade é um dos mais importantes polos econômicos do estado e da região a que ele pertence, sediando um parque industrial diversificado, formado por indústrias automobilísticas, farmacêuticas, têxteis, de construção naval e muitas outras. O PIB recifense é da ordem de 54,6 bilhões de reais e é composto em grande parte também por atividades terciárias como o turismo. Recife tem uma grande tradição de festejos populares, como o Carnaval, além de belezas naturais que atraem visitantes de todo o país.

→ Belo Horizonte (Minas Gerais)

 Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte.

Belo Horizonte é a capital do estado de Minas Gerais, na região Sudeste do país. Ela apresenta 21.069.799 habitantes em sua região de influência e uma região metropolitana que compreende 5,9 milhões de pessoas. A cidade de Belo Horizonte é também uma cidade planejada, com inauguração realizada no ano de 1897.

Ela representa hoje o principal centro econômico do estado de Minas Gerais e uma das maiores economias municipais brasileiras, com PIB que supera os 97 bilhões de reais. Empresas de tecnologia e comunicação, eletrônica e da moda se instalaram no município, e ele também abriga importantes instituições financeiras e comerciais.

Créditos de imagem

[1] 061 Filmes / Shutterstock

[2] Antonio Salaverry / Shutterstock

Por Paloma Guitarrara
Professora de Geografia

Última postagem

Tag